quinta-feira, 5 de julho de 2012

CEBs - Aproximando a Igreja do Povo de Deus

Muita gente, principalmente as novas gerações, vive me perguntando o que são as Comunidades Eclesiais de Base, o que elas fazem, como são suas celebrações, como elas funcionam... Explico mdo meu jeito e poderia escrever aqui um texto explicando, mas é bom respeitarmos o que já está sistematizado e publicado, ainda mais sendo omautor do texto o renomado Frei Betto.

O texto abaixo, de autoria do Frei Betto, foi extraído do livro Militantes do Reino, Catecismo popular, que é parte da Coleção Fé e Libertação, publicado pela Ed. Ática. Esse é apenas o capítulo 7 do livro, que merece ser lido em sua íntegra, mesmo sendo um pouco antigo. Mas, antigo por antigo, a Bíblia nos mostra que “velhos” livros podem nos trazer grandes ensinamentos, não é mesmo?

Segue abaixo o texto. Contando as imagens, são apenas quatro páginas, mas o ensinamento é muito grande. Aproveite!
 

CEBs - Sementes da Igreja renovada
 

O fato

Ao início dos anos 60 surgiu entre as classes populares do Brasil um novo modo de a Igreja ser: as Comunidades Eclesiais de Base. As CEBs são grupos de 20 ou mais pessoas que se reúnem uma ou duas vezes ao mês na capela da roça, no sítio do pequeno agricultor, no salão da casa paroquial, no centro comunitário da vila, no barraco da favela, para refletir, nutrir e celebrar sua vida de fé.

São comunidades porque as pessoas se conhecem pelo nome, partilham suas vidas e seus problemas, põem em comum seus bens e seus esforços, lutam juntos por melhorias no bairro, conquista da terra ou da moradia, uma vida melhor. São edesiais porque o eixo em torno do qual giram é a Palavra de Deus, o uso da Bíblia dentro da realidade conflitiva em que vivem, a comunhão com a Igreja, da qual são células vivas. São de base porque integradas por subempregados, aposentados, jovens, lavradores, operários, donas de casa, enfim, gente pobre e oprimida que forma a base da sociedade.

Inúmeros líderes e dirigentes de movimentos populares, sindicais e políticos tiveram nas CEBs o início da sua atuação a serviço da conquista de uma nova sociedade brasileira, sem oprimidos e opressores.

O trabalho das CEBs identifica-se com a atuação pastoral de movimentos eclesiais como a PO (Pastoral Operária), a CPT (Comissão Pastoral da Terra), o Cimi (Conselho Indigenista Missionário) e tantos outros setores de pastoral especializada.


A Igreja que a gente quer

Como deve ser uma Igreja germe e ferramenta do Reino?

A Igreja católica no Brasil e na América Latina passa por uma profunda mudança. Mudança de qualidade, como a semente da laranja vira árvore, laranjeira. Laranja e laranjeira têm a mesma raiz. Mas são de qualidade diferente: semente é diferente da árvore que é diferente da fruta. Assim a Igreja vem plantando uma semente no chão da vida do povo. Semente fica debaixo do chão, a gente não vê. Pode até pisar em cima dela! Mas ela acaba germinando e produzindo frutos.

Que frutos esperamos das sementes lançadas pelas Comunidades Eclesiais de Base e por todos esses grupos pastorais identificados com a opção pêlos pobres?

Quem planta café não espera colher batata. Espera colher café. Assim, vejamos o que esperamos colher dessas sementes que nas cidades e no campo a gente simples do povo está plantando no chão da vida com a força da fé:

Uma Igreja povo de Deus

Uma Igreja que não seja só de padres e bispos. Seja também dos leigos. O engenheiro pode saber projetar a casa, mas é o trabalho dos pedreiros que põe a casa de pé. Cálculo de engenheiro não basta para fazer a casa, fica no papel. Família nenhuma mora em papel, mora é em casa de pedra, tijolo, madeira e telha. Quem faz a casa é o trabalho do pedreiro, do carpinteiro, do bombeiro, do eletricista etc. Mas casa sem cálculo e sem planta sai errada. Por isso o engenheiro é importante. Porém, sozinho ele não ergue a casa.

O mesmo acontece na Igreja: padres e bispos sozinhos não são a Igreja nem fazem a Igreja. A Igreja é o povo que tem fé em Deus e amor ao próximo. Dentro da Igreja cada um tem a sua função e serviço, como na construção da casa: um toma conta da capela, outro cede sua casa para a reunião da comunidade, outro anima o grupo de jovens, outro organiza as festas, uma equipe visita os doentes, outra promove os cursos bíblicos, outra ensina o catecismo às crianças etc. O padre é como o engenheiro: anima a comunidade, ajuda na orientação. Mas qualquer obra pode ser tocada sem que o engenheiro fique lá o dia todo. Os operários sabem fazer as coisas. Na Igreja também todos devem saber fazer as coisas, pois todos são responsáveis: leigos, religiosas, padres e bispos. Ninguém é melhor do que o outro, pois todos têm a mesma importância. O dono da casa é Jesus Cristo. Cada um de nós é um tijolo da casa.

Uma Igreja popular

Igreja feita de povo e não apenas de gente que tem dinheiro e prestígio. Jesus e os apstolos eram pobres e conviviam com os pobres. A Igreja também deve ser simples e nela os pobres devem ocupar os primeiros lugares. Como Jesus deu preferência aos oprimidos, a nossa Igreja deve dar preferência à gente trabalhadora, ao operário, ao desempregado, ao jovem que estuda e trabalha, ao aposentado, ao agricultor, ao sem-terra, ao bóia-fria. Na sociedade capitalista o pobre serve ao rico. Na Igreja o rico deve servir ao pobre (Mc 10, 17-22).

Uma Igreja comunidade
Massa é diferente de comunidade. Quando o templo está cheio de gente assistindo à missa, pode ser que aquelas pessoas nada tenham de comum entre si: isso é massa. Na massa as pessoas estão umas ao lado das outras. Na comunidade as pessoas estão umas em frente das outras, se conhecem pelo rosto e pelo nome. Há algo de comum entre elas. Por isso devemos dinamizar a formação de CEBs. Onde se reúne um grupo de cristãos da mesma escola, rua, bairro, local de trabalho ou área rural, aí existe uma CEB, uma comunidade de Igreja.

Uma Igreja cristocêntrica

Eta palavra complicada! Mas significa coisa bem simples: Igreja onde o Cristo esteja no centro. Tem muita igreja por aí onde o centro é ocupado pelo dinheiro que os fiéis podem pagar pelos serviços litúrgicos. Ou no centro estão a Nossa Senhora Aparecida, o Papa ou o São Benedito. Tudo isso tem o seu valor, menos negar serviços litúrgicos ao pobre que não tem como pagá-los. Como também não faz sentido enfeitar a igreja luxuosamente para o casamento do rico e exigir dos trabalhadores terno e gravata e vestido de noiva! Não devemos trocar o motor pelos acessórios. Carro depende é do motor. Na Igreja o motor é Jesus Cristo e o destino, o Reino. Ele está vivo entre nós e confia em cada um de nós.

Vamos fazer em grupos

Uma representação teatral, improvisada, mostrando:

1. Como era a Igreja de antigamente.
2. Como vemos a Igreja hoje.
3. Como queremos que a Igreja seja.

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