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terça-feira, 11 de junho de 2019

Miquéias – O Direito Dos Pobres*


O profeta Miquéias nasceu em Morasti, uma vila no interior do reino de Judá. Sua origem camponesa se manifesta na linguagem concreta e franca, nas comparações breves e nos jogos de palavras. Ele exerceu sua atividade em fins do século VIII a.C., quando sua região estava sendo devastada pelos assírios.

Miquéias, entretanto, denuncia uma situação mais perversa do que a própria guerra em andamento: a cobiça e injustiças sociais, onde ele vê a causa principal da ira de Deus (2,8).

Após descrever os estragos da guerra (1,8-16), o profeta nos conduz à capital, onde ele se defronta com os ricos e com os dirigentes políticos e religiosos. Vindo da roça, Miquéias acusa-os de roubar casas e campos para se tornarem latifundiários (2,1-2) e os condena por mandar matar até mulheres e crianças para se apoderarem das terras (2,9).

Com o poder nas mãos, eles dançam ao ritmo do dinheiro, falseando o peso das mercadorias (6,10-12). Miquéias mostra que a riqueza deles se baseia na miséria de muitos e tem como alicerce a carne e o sangue do povo (7,1-4). Eles, porém, insistem, com a Bíblia na mão, em provar que são justos (2,6-7) e que Deus está com eles (3,11); procuram combinar religião com opressão aos fracos. Miquéias denuncia tal perversão como atitude idolátrica (1,5); por isso, é taxativo: eles, juntamente com a luxuosa capital e o próprio Templo, serão destruídos (3,9-12).

No livro atual de Miquéias existem também promessas e esperanças. Entre elas se destaca o anúncio do surgimento do Messias na pequena cidade de Belém (5,1-3). O Novo Testamento retomará esse oráculo e o atribuirá ao nascimento de Jesus Cristo (cf. Mt 2,6).

* Introdução ao livro de Miquéias. Bíblica Edição Pastoral.

sexta-feira, 23 de março de 2018

Quando só se pensa em Messias como Rei Glorioso


ABRIR OS OLHOS PARA VER
Esse texto fala da grande manifestação popular em favor de Jesus no Domingo de Ramos. Sentado num jumento, animal de carga, Jesus entra em Jerusalém, capital do seu povo. Os discípulos, as discípulas e povo romeiro, vindos da Galiléia, o aclamam como messias. Mas o povo da capital não participa. Apenas assiste, e as autoridades nem aparecem.

A romaria termina na praça do Templo, a praça dos poderes. Parece uma passeata que termina diante da catedral e do Palácio do Planalto. Também hoje há manifestações populares. As suas reivindicações revelam o sofrimento do povo e a sua indignação frente às injustiças. Nem todos participam, pois têm medo. A maioria apenas assiste.

SITUANDO
Finalmente, após uma longa caminhada de mais de 140 quilômetros, desde a Galiléia até Jerusalém, a romaria está chegando ao seu destino. Neste quinto bloco (Mc 11,1 a 13,37), tudo se passa em Jerusalém, símbolo central da religião (Sl 122,3). No início do bloco, está o gesto simbólico de Jesus: aclamado pelo povo peregrino, ele entra na cidade montado num jumentinho, animal de carga.

A caminhada de Jesus e seus discípulos era também a caminhada das comunidades no tempo em que Marcos escrevia o seu evangelho: seguir Jesus, desde a Galiléia até Jerusalém, desde o lago até o calvário, com a dupla missão de denunciar os donos do poder que preparam a cruz para quem os desafia e de anunciar ao povo sofrido a certeza de que um mundo novo é possível. Esta mesma caminhada continua até hoje.

COMENTANDO
Marcos 11,1-3: A chegada em Jerusalém
Jesus vem caminhando, como romeiro no meio dos romeiros! O ponto final da romaria é o Templo, onde mora Deus! Em Betânia ele faz uma parada. Betânia significa Casa da Pobreza. Era um povoado pobre fora da cidade, do outro lado do Monte das Oliveiras. De lá, Jesus organiza e prepara a sua entrada na cidade. Ele manda os discípulos buscar um jumentinho, um jegue, animal de carga, para poder realizar um gesto simbólico.

Marcos 11,4-6: A ajuda dos discípulos e das discípulas
Os discípulos fazem como Jesus tinha mandado, e tudo acontece conforme o previsto. Eles encontram o jumentinho e o levam até Jesus. E alguns dos que ali se encontravam perguntaram: “Por que vocês estão soltando o jumentinho?” E eles responderam: “Jesus está precisando!” Todos nós somos como o jumentinho, animal de carga. Jesus precisa de nós.

Marcos 11,7-10: A entrada solene na Cidade Santa

Jesus monta o jumentinho e entra na cidade, aclamado pela multidão de peregrinos e pelos discípulos. Na cabeça deles está a ideia do messias rei glorioso, filho de Davi! Eles acreditam que, finalmente, o Reino de Davi tenha chegado e gritam: “Bendito o Reino que vem de nosso pai Davi!” Jesus aceita a homenagem, mas com reserva. Montado no jumentinho, ele evoca a profecia de Zacarias que dizia:

                               “Teu rei vem a ti, humilde, montado num jumento.
                                O arco de guerra será eliminado” (Zc 9,9-10).

Jesus aceita ser o messias, mas não o messias rei glorioso e guerreiro que os discípulos imaginavam. Ele se mantém no caminho do serviço, simbolizado pelo jumentinho, animal de carga. Jesus ensina agindo. Os discípulos, que procurem entender o gesto de Jesus, mudem de ideia e se convertam!

ALARGANDO
As romarias do povo e os salmos de romaria
As romarias para Jerusalém se faziam três vezes ao ano, nas três grandes festas: Páscoa, Pentecostes e Tabernáculos (cf. Ex 23,14 e 17). Dos lugares mais distantes os romeiros vinham caminhando. Alguns faziam cinco, seis ou mais dias de viagem. Vinham para Jerusalém, a capital, “a cidade grande e bela, para onde tudo converge” (cf. Sl 122,3-4). As romarias eram momentos de confraternização e de muita alegria: “Fiquei foi contente, quando me disseram: Vamos para a Casa do Senhor!” (Sl 122,1).

Nestas longas viagens, o povo rezava e cantava os Salmos de Romaria. Jesus também os rezou, junto com os peregrinos da Galiléia, nesta sua última romaria para a Casa de Deus, em Jerusalém.

Os “Salmos de Romaria” formam uma coleção de 15 salmos dentro do saltério, do Salmo 120 até o Salmo 134. São salmos pequenos. O povo que rezava quando subia para o Templo de Jerusalém em peregrinação. Por isso chamados “Cânticos das Subidas”. Eles diziam: “Vinde! Vamos subir ao Monte de Javé!” (Is 2,3). “Vamos subir a Sião, a Javé, nosso Deus!” (Jr 31,6).

Apesar de pequenos, os Salmos de Romaria possuem uma grande riqueza. São uma amostra de como o povo rezava e se relacionava com Deus. Eles ajudam o povo a perceber os traços de Deus nos fatos da vida. Transformam tudo em prece, mesmo as coisas mais comuns da vida de cada dia. De um jeito bem simples, revelam a dimensão divina do quotidiano. Ajudam a perceber e a rezar a dimensão divina do humano.

Também eram chamados “Cânticos dos Degraus”. Provavelmente por causa da majestosa escadaria de 15 degraus que dava acesso ao Templo de Jerusalém. Daí, talvez, a razão de a coleção ter exatamente 15 salmos.

A subida pelos 15 degraus da escadaria do Templo era uma imagem e um resumo da própria romaria, desde o povoado até Jerusalém. E ambas, tanto a subida como a romaria, eram um símbolo ou uma imagem da caminhada de cada pessoa em direção a Deus.

Quando, finalmente, após longa caminhada, o romeiro chega ao Templo e experimenta algo da presença de Deus, as palavras já não bastam para dizer o que se vive. Então, o gesto das mãos completa o que falta nas palavras. Isto transparece nos Salmos de Romaria. Assim, no último salmo, gesto e palavra se unem para expressar o que se vive: “Levantem as mãos para o santuário e bendigam a Javé!” (Sl 134,2).

Ao longo dos salmos de romaria, os mesmos pensamentos e sentimentos aparecem e reaparecem, do começo ao fim. Eles indicam a direção da oração, o rumo do Espírito. Eis uma lista que pode servir como chave de leitura para nós.
  1. O pano de fundo que percorre estes salmos é a experiência libertadora do Êxodo e do Exílio;
  2. São orações em que agricultores expressam e rezam a sua vida e os seus problemas;
  3. Transparece nas imagens usadas uma situação de violenta opressão e de exploração do povo;
  4. Em alguns destes salmos, se passa do eu para o nós, o que revela a integração na comunidade;
  5. Neles se expressa a alegria intensa da confraternização dos romeiros em Jerusalém;
  6. O Templo ocupa um lugar importante na vida do povo, lugar de encontro com Deus;
  7. A ambivalência da monarquia e da cidade de Jerusalém: centro que atrai e que oprime;
  8. Um grande desejo de paz e de liberdade percorre quase todos estes salmos;
  9. Não usam ideias rebuscadas, mas transformam em prece as coisas comuns da vida;
  10. No centro de tudo, no começo e no fim, está a fé em “Javé que fez o céu e a terra”.
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Fonte: Extraído livro Caminhando com Jesus – Círculos Bíblicos de Marcos – II Parte, de Carlos Mesters e Mercedes Lopes.

quarta-feira, 7 de março de 2018

O Reino é dom e partilha


Lucas 18, 18-27

18 Uma pessoa importante perguntou a Jesus: “Bom Mestre, o que devo fazer para receber em herança a vida eterna?” 19 Jesus respondeu: “Por que você me chama de bom? Só Deus é bom, e ninguém mais. 20 Você conhece os mandamentos: não cometa adultério; não mate; não roube; não levante falso testemunho; honre seu pai e sua mãe.” 21 O homem disse: “Desde jovem tenho observado todas essas coisas.” 22 Ouvindo isso, Jesus disse: “Falta ainda uma coisa para você fazer: venda tudo o que você possui, distribua o dinheiro aos pobres, e terá um tesouro no céu. Depois venha, e siga-me.” 23 Quando ouviu isso, o homem ficou triste, porque era muito rico.

24 Vendo isso, Jesus disse: “Como é difícil para os ricos entrar no Reino de Deus! 25 De fato, é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus.” 26 Os que ouviram isso, disseram: “Então, quem pode ser salvo?” 27 Jesus disse: “As coisas impossíveis para os homens são possíveis para Deus”.
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Na Bíblia Edição Pastoral, os comentários sobre estes versículos (assim como para Mc 10, 23-27 e Mt 19, 16-23) dizem que “para entrar no Reino (ou vida eterna) é preciso mais do que observar leis ou regras. O Reino é dom de Deus aos homens, e nele tudo deve ser partilhado entre todos. Isso significa repartir as riquezas em vista de uma igualdade, abolindo o sistema classista. É por isso que os ricos ficam tristes e dificilmente entram no Reino. E o que acontece quando a gente deixa tudo para seguir a Jesus e continuar o seu projeto? Encontra nova sociedade, embora em meio à perseguição, e já vive a certeza da plenitude que virá.

 É por isso que a Igreja faz opção preferencial pelos pobres. É por isso que a Igreja defende o ser humano em primeiro lugar.

E você cristão/católico, o que pensa sobre isso?



segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

O fruto da justiça será a paz



O Círculo Bíblico da Comunidade Eclesial Cristo Rei realiza nesta segunda-feira (26) o segundo encontro de reflexão sobre a CF 2018.

O tema do encontro será "O fruto da justiça será a paz" (Is 32, 17).

A reflexão será iluminada por Isaías 32, 15-20. Você é nosso(a) convidado(a) especial. A reunião começa às 20h.

A CEB Cristo Rei fica na rua Major Freire, 792 (paralela à av. Fagundes Filho, na altura do posto e da padaria Dona Deola, próximo à estação São Judas do Metrô).

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Campanha da Fraternidade 2018 – Fraternidade e superação da Violência



"Vos sois todos irmãos" (Mt23,8)

Trecho da “Apresentação” do texto-base da Campanha.

A Quaresma nos provoca e convoca à conversão, mudança de vida: cultivar o caminho do seguimento de Jesus Cristo. Os exercícios quaresmais que a Igreja propõe aos católicos são: jejum, esmola e oração. Três tentativas para nos abrirmos à graça da filiação, divina.

Jejum: esvaziamento, expropriação, libertação. Tudo para que sejamos um só em Cristo (Gl3,28) e Cristo seja formado em nós (Gl4,19). O jejum abre nossa pessoa, para a receptividade, para a liberdade da vida em Cristo.

Esmola: vida, fé partilhada. A esmola nasce da alegria de ter encontrado o tesouro escondido, a pérola preciosa (Mt13,44-46). O amor, a misericórdia busca o outro. Tem necessidade de partilha e nos aproxima da irmandade.


Oração: tocados pelo dom do anúncio, apercebidos da valiosa experiência do cuidado amoroso e misericordioso de Deus em Jesus Cristo, necessitamos de palavras e silêncio para agradecer e suplicai. Uma espécie de exposição ao dom recebido, na tentativa ser atingidos com maior intensidade pelo amor e pela misericórdia.

Todos os anos, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) apresenta a Campanha da Fraternidade como caminho de conversão quaresmal. Um caminho pessoal, comunitário e social que visibilize a salvação paterna de Deus.

"Fraternidade e superação da violência" é o tema da Campanha para a Quaresma, em 2018. O Evangelho de Mateus inspira o lema: "Vós sois todos irmãos" (Mt23,8). A Campanha tem como objetivo geral: "Construir a fraternidade, promovendo a cultura da paz, da reconciliação e da justiça, à luz da Palavra de Deus, como caminho de superação da violência".


Sofremos e estamos quase estarrecidos com a violência. Não apenas com as mortes que aumentam, mas também por ela perpassar quase todos os âmbitos da nossa sociedade. A ética que norteava as relações sociais está esquecida. Hoje, temos corrupção, morte e agressividade nos gestos e nas palavras. Assim, quase aumenta a crença em nossa incapacidade de vivermos como irmãos.

"Por 'violência cultural' entendem-se as condições em razão das quais uma determinada sociedade reconhece como violência atos ou situações em que determinadas pessoas são agredidas. Criam-se processos que fazem aparecer como legítimas certas ações violentas. Elaboram-se discursos para apresentar razões e justificativas como se uma ação violenta fosse devida, uma consequência de determinadas condutas da própria pessoa que sofreu a violência.


Portanto, a violência cultural não é, necessariamente, uma causa da violência direta, mas cria as condições em meio às quais chega a tornar-se difícil, para a sociedade, reconhecer um sistema como violento”.[1]

Se partirmos do texto sagrado que indica o caminho das origens de todo o universo, ficamos admirados coma harmonia das relações: "E Deus viu que tudo era bom" (Gn1,25). A origem do homem e da mulher é ainda mais admirável: "Façamos o ser humano à nossa imagem e semelhança (...). Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus o criou. Homem e mulher ele os criou" (Gn1,26-27). Confiou ao homem e, à mulher o cuidado e o cultivo da obra criada. E, assim, nos diz o texto que "Deus viu tudo quanto havia feito, e era muito bom" (Gn1,31).

Há, no desabrochar e no cintilar de tudo, uma relação de amor e de cuidado. Na origem da bondade de Deus, está o sentido da obra criada e o sentido de ser pessoa. Jesus mesmo, ao ser confrontado com a separação entre o homem e a mulher, dirá: "Moisés permitiu despedir a mulher, por causa da dureza do vosso coração. Mas não foi assim desde o princípio" (Mt19,8). No princípio, no eclodir, no dar-se, no manifestar-se, não existe divisão, desamor, violência, mas acolhimento, reverência, pertença fraterna. A violência vem depois. Nasce do esquecimento das origens, da vocação do ser humano: o amor. O esquecimento do mandamento do amor e da ética gesta e desperta violência. Os descaminhos, no entanto, podem ser superados com a volta às origens, com a reconciliação e a misericórdia. Somos chamados à superação da violência, pois somos filhos e filhas de Deus.

A Campanha da Fraternidade acontece no Ano Nacional do Laicato, que tem como tema: "Cristãos leigos e leigas, sujeitos na 'Igreja em saída’ a serviço do Reino” e como lema: "Sal da terra e luz do mundo (Mt5,13-14). Uma Igreja que anuncia o Reino de Deus, o Reino da paz e da fraternidade. Os leigos e leigas, iluminados e fortificados pela Palavra e pela Eucaristia, serão luz para superar a violência e sal para temperar a fraternidade.

Maria, Mãe do Príncipe da Paz, nos acompanhe no caminho de conversão quaresmal! Jesus Cristo crucificado-ressuscitado, que transformou todas as coisas, nos ajude no caminho da superação da violência, pois somos todos irmãos.




[1] CNBB. Campanha da Fraternidade 2018: Texto-Base. Brasília: Edições CNBB, 2017, p. 23.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

CEB Cristo Rei inicia encontros de reflexão sobre a CF 2018

Mais uma vez, a Igreja do Brasil nos convoca à Companha da Fraternidade. Somos motivados a buscar caminhos e meios para a superação de toda a forma de violência. Somos convocados a recuperar a fraternidade entre nós, em famílias, em nosso bairro e em nossa cidade.

O Círculo Bíblico da Comunidade Eclesial de Base (CEB) Cristo Rei inicia nesta segunda-feira (5/2) os encontros para refletir sobre a Campanha da Fraternidade, que, neste ano, nos chama a encontrar formas para superar todas as formas de violência.

As reuniões acontecem às segundas-feiras, das 20h às 21h30, na própria comunidade (rua Major Freire, 792, Vila Monte Alegre –paralela à direita da av. Fagundes Filho, na altura do posto de gasolina e da padaria Dona Deola– próximo à estação São Judas do Metrô).

Veja abaixo o calendário das reuniões e venha refletir com o grupo.

5/2 – Segunda-feira
Apresentação da CF 2018 e organização das atividades

12/2 – Segunda-feira – Carnaval (não haverá encontro)

19/2 – Segunda-feira
1º Encontro – Somos todos irmãos – Mt 23, 1-12

26/2 – Segunda-feira
2º Encontro – O fruto da Justiça será a paz – Is 32, 15-20

5/3 – Segunda-feira
3º Encontro – Bem-aventurados os que promovem a paz – Mt 5, 1-16

12/3 – Segunda-feira
4º Encontro – Mensageiros da Paz – Jo 20, 19-29

19/03 – Segunda-feira
5º Encontro – Cristo é a nossa paz – Ef 2, 11-18

26/3 – Segunda-feira
Celebração final

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Superação da violência, justiça e os indefesos



 Laine de Amorim* e Paulo Flores**

Daqui a menos de um mês (para ser mais exato, 27 dias) começa a Quaresma, período em que a Igreja Católica realiza a Campanha da Fraternidade (CF).
Em 2018, a CF nos convida a refletir sobre a violência e as formas de superá-la. Além do tema “Fraternidade e superação da violência”, a Campanha deste ano traz o lema: “Vós sois todos irmãos” (Mt 23, 8).
Com a CF deste ano a Igreja quer “construir fraternidade, promovendo a cultura da paz, da reconciliação e da justiça, à luz da Palavra de Deus, como caminho para superação da violência”.
Chamamos a atenção para um dos caminhos para a superação da violência presente no objetivo da CF deste ano: a promoção da cultura da justiça à luz da Palavra de Deus. E o que é a “justiça à luz da Palavra de Deus”?
É tão somente a realização do projeto de Deus. À luz da Palavra de Deus, “a justiça se concretiza na partilha e na fraternidade, dirigindo a sociedade para a solidariedade e a paz. Exige, para todos, a distribuição igualitária dos bens e a possibilidade de participar das decisões que regem a vida e a história do povo. Na Bíblia, a justiça é eminentemente partidária, visando a defender a causa dos indefesos” (Pequeno Dicionário Bíblico. Bíblia Edição Pastoral).
Nos Estados Unidos, a terceira segunda-feira de janeiro (que neste ano foi dia 15 passado) é dedicada à celebração da igualdade racial. Na verdade, trata-se de uma homenagem ao Pastor Martin Luther King, que nasceu no dia 29 de janeiro. Trago isso ao texto porque Luther King travou uma luta pacífica contra as injustiças que eram cometidas contra uma imensa população de indefesos: os negros. O pastor deu a vida lutando por justiça, contra a violência. Para refletir mais sobre o tema, convido todos a lerem o texto de Marcelo Barros, publicado recentemente pelo Centro de Estudos Bíblicos. É fantástico!
O texto de Marcelo Barros contribui muito para a reflexão que convido todos a fazerem: É possível superar a violência em uma sociedade onde não haja justiça? É possível superar a violência sem defender a causa dos indefesos, dos injustiçados?
Em sua época, Jesus defendeu grupos sociais discriminados, como as mulheres, viúvas, prostitutas, pessoas com deficiência, crianças, migrantes (estrangeiros), pessoas de outras religiões... Todos pobres, indefesos e discriminados e injustiçados pela sociedade.
Estes e outros grupos ainda sofrem com o preconceito e falta de justiça em nossos dias.
Podemos dizer que as mulheres que exercem as mesmas funções do que um homem, mas recebem menos pelos mesmos serviços são injustiçadas? A desigualdade de oportunidade de ascensão profissional entre as pessoas é um tipo de violência? Pessoas que se relacionam com pessoas do mesmo sexo são injustiçadas? O espancamento e abusos de crianças é uma violência? Estamos mesmo dispostos a superar a violência?
Como cristãos, estamos dispostos a perdoar, ou bradamos pela pena de morte? Conseguimos nos controlar no estresse do trânsito das grandes cidades? Respeitamos as pessoas de religiões diferentes da nossa?
Concluímos este texto com uma reflexão de Martin Luther King: “...sempre insisti na justiça para o mundo inteiro, pois a justiça é indivisível. E a injustiça, onde quer que aconteça é uma ameaça à justiça em toda parte”.

* Psicóloga, membro do Círculo Bíblico da Comunidade Eclesial Cristo Rei, da Paróquia/Santuário São Judas Tadeu
** Jornalista, membro do Círculo Bíblico da Comunidade Eclesial Cristo Rei, da Paróquia/Santuário São Judas Tadeu