domingo, 7 de janeiro de 2018

Quem é meu próximo?



O “Roteiro de Oração na Vida Diária”, publicado pelos jesuítas, que pode ser visualizado e baixado gratuitamente, nos convida nesta segunda semana de janeiro “a rezarmos e nos deixarmos tocar pelas pessoas que nos cercam. A vida em grupo é fundamental para a existência humana, é impossível sobreviver sozinho neste mundo. Somos o tempo todo interpelados pelas marcas do outro em nossas vidas, e é somente a partir do outro que podemos nos perceber como diferentes, únicos, queridos e amados por Deus em nossas peculiaridades. Desse modo, a conscientização sobre nós mesmos perpassa a consciência que somos capazes de ter com relação aos outros, aos nossos próximos. A vida cristã nos faz questionar: ‘Quem é meu próximo?’. Jesus andava no meio do povo, a ouvir, acolher, ensinar, conversar, cuidar, Ele afetivamente restaurava a dignidade das pessoas mais empobrecidas e marginalizadas e nos exorta sempre a refletir sobre as belezas e os desafios da alteridade, da diferença, da diversidade. Somos convidados e convidadas a estabelecer relações de sensibilidade, cuidado, empatia, que reconheçam o outro na condição de sujeito, portador de direitos, dignidade, valor e liberdade, transcendendo assim a lógica do uso e descarte a qual nossa sociedade individualista nos impõe. Reconheçamos que, se por um lado cada ser humano é único e distinto, por outro, a condição humana e de filhos de Deus nos une a todos e todas.

Pedido para todos os dias da semana:
Senhor, dai-nos a graça de nos reconhecermos no outro e de sermos empáticos para com os irmãos.”

Acesse o roteiro na íntegra e leia também as reflexões para as semanas seguintes.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Comunhão sob as duas espécies

Sobre a comunhão sob as duas espécies (pão e vinho / corpo e sangue), o Missal romano, no número 240 da introdução, diz o seguinte:

“A comunhão realiza mais plenamente o seu aspecto de sinal quando sob as duas espécies. Sob essa forma se manifesta mais perfeitamente o sinal do banquete eucarístico e se exprime de modo mais claro a vontade divina de realizar a nova e eterna Aliança no Sangue do Senhor, assim como a relação entre o banquete eucarístico e o banquete escatológico no reino do Pai”.

Leia ou ouça mais na Rádio Vaticano: https://goo.gl/Kiiw3T

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

“Não queremos um sistema de desenvolvimento econômico que aumente o número de desempregados”, Papa Francisco


Mais uma fantástica lição do Papa Francisco! Segue um pequeno trecho da mensagem enviada por Francisco ao cardeal Peter K. A. Turkson, por ocasião da Conferência Internacional Sobre o Trabalho. A íntegra está no link abaixo.

“Não queremos um sistema de desenvolvimento econômico que aumente o número de desempregados, nem de pessoas desabrigadas ou sem terra. Os frutos da terra e do trabalho são para todos, e ‘devem ser distribuídos equitativamente a todos’. Este tema adquire relevância especial em relação à propriedade da terra, quer nas áreas rurais quer nas urbanas, e às normas jurídicas que garantem o acesso à mesma. E a este respeito, o critério de justiça por excelência é o destino universal dos bens, cujo ‘direito universal ao seu uso’ constitui o ‘primeiro princípio de toda a ordem ético-social’.

Leia a íntegra da mensagem publicada no site do Vaticano.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Como nasceu a celebração da missa?



A MISSA EXPLICADA PARTE POR PARTE



PERGUNTAS MAIS COMUNS



2. Como nasceu a celebração da missa?

A celebração da Eucaristia nasceu com o próprio Senhor Jesus. Na noite em que foi entregue, durante a última ceia, ele tomou o pão, deu graças, o partiu e o entregou a seus discípulos, dizendo: "Tomai e comei todos vós. Isto é meu corpo, que será entregue por vós". Terminada a ceia, tomou um cálice com vinho, deu graças e o passou aos discípulos, dizendo: "Tomai, todos, e bebei. Este é o cálice do meu sangue, o sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vós e por todos, para a remissão dos pecados". Essas palavras do Novo Testamento mostram a instituição da Eucaristia.

terça-feira, 4 de abril de 2017

O que é a missa? - Pe. José Bortolini



A MISSA EXPLICADA PARTE POR PARTE


PERGUNTAS MAIS COMUNS

1. O que é a missa?
Os primeiros cristãos chamavam a missa de Ceia do Senhor ou Fração do Pão. Nós preferimos chamá-la de Eucaristia, que significa Ação de Graças. Pode-se tentar definir a Eucaristia com uma das aclamações após a consagração, que diz: "Anunciamos, Senhor, a vossa morte, e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus". É, portanto, a celebração da morte e ressurreição de Jesus Cristo, a sua Páscoa e a nossa.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

A LÓGICA SURPREENDENTE DAS BEM-AVENTURANÇAS



(reflexão sobre o Evangelho do 4º Domingo do Tempo Comum – 29/01)

Padre Adroaldo sj

“E Jesus começou a ensiná-los: bem-aventurados...” (Mt 5,2)

O Evangelho que nos foi confiado é um programa para alcançar a felicidade, a vida ditosa, prazerosa, bem-aventurada. Na boca de Jesus brilha sempre a palavra chave: “Felizes”.

A felicidade, proclamada aqui por Ele, é já uma realidade presente na sua pessoa e na sua missão.

Todas e cada uma das bem-aventuranças são autobiográficas. Jesus viveu-as durante 30 anos antes de proclamá-las. Elas são, portanto, a expressão do que constitui o centro mesmo da sua pessoa e da sua vida, dos seus sentimentos, atitudes; numa palavra, do seu mistério.

Poderíamos dizer que as bem-aventuranças são o auto retrato de Jesus. Elas são o compêndio do ministério de Jesus. Não é lei que se impõe por si mesma; é confissão: “o Reino chegou”.

As Bem-aventuranças não são uma doutrina, mas um estilo de vida, um modo de proceder. Jesus não prega diretamente uma moral. Proclama a “irrupção” da graça, do amor, da misericórdia, da justiça de Deus na história da humanidade.

Porque tem a certeza de que chegou a “hora” de Deus intervir na história, Jesus fica feliz e proclama felizes” os até agora indefesos, oprimidos e marginalizados, mas que mantiveram viva a confiança em Deus.

Jesus fala da felicidade não no singular, mas no plural. Em outras palavras, o que Ele afirma é que a felicidade de cada um está em íntima relação com a felicidade dos outros, com quem cada um convive.

Todos sabemos que nas nossas igrejas fala-se muito mais da renúncia ao prazer, da mortificação, do sofrimento, da austeridade, do sacrifício, da suportabilidade e da resignação, ao passo que pouco se escuta sobre aquilo que deve mover as pessoas a buscar ser felizes, a deleitar-se com tudo aquilo que de bom Deus pôs no mundo e na vida, desfrutar o prazeroso, o sensível, o corporal. Não é comum encontrar pessoas que, espontaneamente, associem Deus e a religião à alegria de viver e, em geral, a tudo aquilo que nos faz sentir melhor, sentir-nos bem e ser mais felizes.

Portanto, o centro da fé cristã não está na religião com suas exigências de sacrifícios e renúncias, com suas verdades e suas normas, mas na felicidade dos seres humanos.

“A ética de Jesus é a ética do prazer de viver para todos, da felicidade compartilhada por todos, sem excluir ninguém. E isso é o que mais custa assumir e aceitar como projeto de vida, porque a ascética mais dura não é a da renúncia, mas sim da doação” (José Maria Castillo).

Os enunciados das bem-aventuranças soam à primeira vista como “idealistas”, “utópicas”, não possíveis de serem colocadas em prática no mundo em que vivemos. No entanto, pela sua provocação e questionamento, elas são a proposta mais realista, mais revolucionária e mais eficaz jamais pronunciada.

As bem-aventuranças são a exposição mais exigente e, ao mesmo tempo mais fascinante, da mensagem e da “intenção de Cristo”. Elas são a plenificação daquilo que é o mais humano em nós.

Poderíamos dizer que as Bem-aventuranças são a quinta-essência do seguimento de Jesus.

De fato, percebemos uma resistência surda frente às bem-aventuranças, não porque nosso coração não se reconheça nelas, mas porque parecem tão impossíveis, tão distantes estamos delas...; vivemos mergulhados em tantas contradições, profundos dramas e violências que nos parecem desmenti-las. Incomoda-nos e inquieta-nos sua mensagem de humildade, de mansidão, de paz, de pureza, de misericórdia... quando, na realidade, estamos envolvidos em construir, em fomentar um mundo que é arrogante, agressivo, violento, intolerante, excludente, injusto...

Temos resistências em escutá-las porque elas nos colocam de novo frente à verdade para a qual nascemos, diante do mais original de nosso coração e de nossas entranhas humanas. A ética de Jesus nas bem-aventuranças encontra resistência para ser assumida por nós precisamente em virtude de sua desconcertante humanidade.

As bem-aventuranças nos esperam no pequeno, no cotidiano, no próximo mais próximo, e nos impulsionam a proclamar: a paz é possível, a alegria é uma realidade, a justiça não é um luxo, a mansidão está ao alcance da mão... Elas nos dizem que nascemos para a bondade, a beleza, a compaixão...

Ao formular as bem-aventuranças, Mateus traça o perfil que caracterizará os seguidores de Jesus; elas condensam as atitudes básicas que os cristãos devem ter na relação com os outros, seguindo as pegadas do Mestre. Jesus propõe a ventura sem limites, a felicidade plena para seus seguidores. Deus não quer a dor, a tristeza, o sofrimento; Deus quer precisamente o contrário: que o ser humano se realize plenamente, que viva feliz... Jesus acreditava na vida, e queria que todos vivessem intensamente.

Por isso, as bem-aventuranças podem ser escutadas como uma mensagem que brota do mais profundo da vida e que tem como finalidade apresentar a qualquer pessoa o mais humano que existe em nós.

Ao proclamar bem-aventurados os pobres, os que choram, os perseguidos, os humildes... Jesus, certamente, jamais quis sacralizar a dor humana. Ele constata a situação do povo, de pobreza, humilhação, submissão; percebe o esforço que o povo faz para mudar a situação, e o proclama feliz nesta busca, porque esta busca mora no próprio coração de Deus.

Aos olhos de Jesus nada é mais perigoso para o espírito humano do que vidas satisfeitas, acomodadas, sem desejos, sem a afeição das esperas e o desassossego das buscas; corações quietos, indolentes, medrosos, covardes, petrificados, sensatamente contentes com aquilo que são e têm.

Como são, ao contrário, humanamente repletos de vida os que quase nada são e têm, os que ainda se encantam com as buscas, os que sonham e lutam por um mundo novo. Sua vida é penosa, sem dúvida, mas repleta de razões, criatividade, entusiasmo e vitalidade.

As diferentes ciências (psicologia, filosofia, antropologia etc.) nos fazem cair na conta de que todos os seres humanos desejam ser felizes. Também elas nos permitem compreender que a felicidade não é uma situação existencial que possamos agarrar e possuí-la. Também não é uma sucessão interminável de prazeres que acabam por nos esgotar, mas uma forma de ser e de viver. Ela não emana do que temos ou fazemos, mas do centro de nosso ser.

A felicidade que buscamos é o que realmente somos, e isto só se revela quando a mente se cala. Ser feliz, portanto, consiste em experimentar na existência a plenitude de nossa verdadeira identidade.

Ser feliz é deixar viver a criatura livre, alegre e simples presente dentro de cada um de nós. A felicidade é, assim, o livre curso da vida, o fluxo contínuo da Vida em nós que se “entre-tece” com a vida dos outros.

Texto bíblico:  Mt. 5,1-12

Na oração: O melhor modo de fazer esta oração é seguir um dos “modos de orar” proposto por S. Inácio, ou seja: “Contemplar o significado de cada palavra da oração” (EE. 249).
* Rezar as dimensões da vida que estão paralisadas, impedindo-lhe de viver a dinâmica das bem-aventuranças.
* Olhe no mais íntimo de você mesmo e pergunte-se: há um coração que deseja coisas grandes ou um coração adormecido pelas coisas? Seu coração conservou a inquietude da busca ou você tem se deixado sufocar pelas “coisas”, que terminam por atrofiá-lo?