O texto
abaixo foi publicado pelo amigo José Luiz Possato Jr. no grupo Leitura Popular da Bíblia, no Facebook.
Traz dicas
muito boas para aqueles que querem fazer uma leitura bíblica de maneira
popular e comunitária.
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“Olá, pessoas!!!
Estou lendo um livro bacana: “WEGNER,
Uwe: Exegese do Novo Testamento – Manual de Metodologia, Ed. Sinodal – São
Leopoldo, Ed. Paulus – São Paulo, 1998”.
Lá pela página 14 encontrei umas
regrinhas bacanas para quem quer se aprofundar na Leitura Popular da Bíblia. Na
verdade, são riscos que devem ser evitados para que a Palavra de Deus não seja
lida e estudada de forma alienante.
Segundo o autor, são dicas retiradas do
artigo “Como se faz Teologia Bíblica Hoje no Brasil”, escrito por Carlos
Mesters e publicado no exemplar nº 1 da revista Estudos Bíblicos da Vozes. São
elas (procurarei reproduzi-las na íntegra):
- Prisão da letra: Pressupõe uma
concepção mecânica de inspiração e de inerrância, não levando a sério a
encarnação da Palavra de Deus (exemplo: o fundamentalismo). A maior
característica deste tipo de leitura é a falta de crítica. Superação: leitura
crítica da realidade e dos textos bíblicos;
- Dependência do saber de outros e
outras intérpretes: A dependência exagerada do saber alheio perpetua complexos
de ignorância e inferioridade. Superação: ter consciência de que Deus dá o seu
Espírito Santo a cada pessoa, independentemente de sua condição cultural ou
social (At 2,17s), possibilitando uma maturidade em relação à expressão de fé;
- Dependência da ideologia dominante:
Esta encontra-se veiculada, sobretudo, pelos modernos meios de comunicação,
como os jornais, rádio e televisão. Superação: não pode haver leitura
libertadora da Bíblia sem uma:
a) prévia libertação do cativeiro da
nossa mente e do nosso pensar, atrelados àquilo que outras pessoas e grupos
desejam que pensemos e creiamos (cf. Rm 12,1-2): o caminho da conversão passa
necessariamente pela cabeça;
b) leitura a partir do lugar social das
pessoas e grupos oprimidos e empobrecidos, já que os mesmos constituem as
vítimas preferenciais da ideologia dominante;
De qualquer forma, sem libertação do
cativeiro da nossa mente e sem uma reflexão sobre os textos a partir das
pessoas e grupos inferiorizados, a leitura bíblica será sempre leitura ingênua
e facilmente manipulável;
- Estudo sem fé e compromisso
comunitário: Este tipo de leitura pode apresentar boas ideias, mas carece de um
efetivo esforço pela transformação da realidade. Sua maior característica é o
descompromisso comunitário e social. Superação: leitura militante, atenta às
denúncias da Palavra de Deus, bem como aos seus apelos à conversão pessoal,
eclesial e social;
- Estudo individualizado: Este tipo de
estudo abre portas para o subjetivismo e, em decorrência, para toda sorte de
“achismos”. Superação: leitura comunitária, que é o exercício de elaboração
coletiva pela qual se completa a limitada percepção de cada qual;
- Estudo intelectualizado: Na exegese
científica, a fé não costuma ser um elemento constitutivo do processo de
interpretação, e sim sua condição prévia. Na leitura popular, ao contrário, a
leitura da Palavra de Deus é sempre envolvida pela oração. Por isso, a
superação de um tipo de leitura por demais intelectualizada é a leitura orante.
Intui-se, dessa forma, que a descoberta do sentido não é fruto só da ciência,
mas é também um dom de Deus através do Espírito. Dá-se lugar à ação do Espírito
Santo na leitura e na interpretação da Bíblia.”
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