segunda-feira, 25 de março de 2013

Para aprofundar a leitura popular da Bíblia


O texto abaixo foi publicado pelo amigo José Luiz Possato Jr. no grupo Leitura Popular da Bíblia, no Facebook.

Traz dicas muito boas para aqueles que querem fazer uma leitura bíblica de maneira popular e comunitária.
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“Olá, pessoas!!!

Estou lendo um livro bacana: “WEGNER, Uwe: Exegese do Novo Testamento – Manual de Metodologia, Ed. Sinodal – São Leopoldo, Ed. Paulus – São Paulo, 1998”.

Lá pela página 14 encontrei umas regrinhas bacanas para quem quer se aprofundar na Leitura Popular da Bíblia. Na verdade, são riscos que devem ser evitados para que a Palavra de Deus não seja lida e estudada de forma alienante.

Segundo o autor, são dicas retiradas do artigo “Como se faz Teologia Bíblica Hoje no Brasil”, escrito por Carlos Mesters e publicado no exemplar nº 1 da revista Estudos Bíblicos da Vozes. São elas (procurarei reproduzi-las na íntegra):

- Prisão da letra: Pressupõe uma concepção mecânica de inspiração e de inerrância, não levando a sério a encarnação da Palavra de Deus (exemplo: o fundamentalismo). A maior característica deste tipo de leitura é a falta de crítica. Superação: leitura crítica da realidade e dos textos bíblicos;

- Dependência do saber de outros e outras intérpretes: A dependência exagerada do saber alheio perpetua complexos de ignorância e inferioridade. Superação: ter consciência de que Deus dá o seu Espírito Santo a cada pessoa, independentemente de sua condição cultural ou social (At 2,17s), possibilitando uma maturidade em relação à expressão de fé;

- Dependência da ideologia dominante: Esta encontra-se veiculada, sobretudo, pelos modernos meios de comunicação, como os jornais, rádio e televisão. Superação: não pode haver leitura libertadora da Bíblia sem uma:

a) prévia libertação do cativeiro da nossa mente e do nosso pensar, atrelados àquilo que outras pessoas e grupos desejam que pensemos e creiamos (cf. Rm 12,1-2): o caminho da conversão passa necessariamente pela cabeça;

b) leitura a partir do lugar social das pessoas e grupos oprimidos e empobrecidos, já que os mesmos constituem as vítimas preferenciais da ideologia dominante;

De qualquer forma, sem libertação do cativeiro da nossa mente e sem uma reflexão sobre os textos a partir das pessoas e grupos inferiorizados, a leitura bíblica será sempre leitura ingênua e facilmente manipulável;

- Estudo sem fé e compromisso comunitário: Este tipo de leitura pode apresentar boas ideias, mas carece de um efetivo esforço pela transformação da realidade. Sua maior característica é o descompromisso comunitário e social. Superação: leitura militante, atenta às denúncias da Palavra de Deus, bem como aos seus apelos à conversão pessoal, eclesial e social;

- Estudo individualizado: Este tipo de estudo abre portas para o subjetivismo e, em decorrência, para toda sorte de “achismos”. Superação: leitura comunitária, que é o exercício de elaboração coletiva pela qual se completa a limitada percepção de cada qual;

- Estudo intelectualizado: Na exegese científica, a fé não costuma ser um elemento constitutivo do processo de interpretação, e sim sua condição prévia. Na leitura popular, ao contrário, a leitura da Palavra de Deus é sempre envolvida pela oração. Por isso, a superação de um tipo de leitura por demais intelectualizada é a leitura orante. Intui-se, dessa forma, que a descoberta do sentido não é fruto só da ciência, mas é também um dom de Deus através do Espírito. Dá-se lugar à ação do Espírito Santo na leitura e na interpretação da Bíblia.

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