Por
Jaime Carlos Patias
Uma
Igreja autorreferencial é aquela que se coloca no centro de si mesma. Essa
parece ser a prática de algumas pastorais, grupos e movimentos. Promovem
encontros, eventos, homenagens, shows e até missas para congregar as pessoas
dos mesmos círculos de interesses e passar momentos agradáveis que beiram ao
narcisismo. Isso é sedutor.
Alguns
meios de comunicação católicos também caem nessa emboscada. Como forma de
incentivo para alavancar audiência, criam prêmios, indicam os merecedores da
homenagem, selecionam os vencedores para, em seguida, produzirem a cerimônia de
entrega dos troféus e se congratularem com palmas, fotos e louvores pelo feito.
Haja vaidade!!!
Toda
essa bajulação contribui em que para a evangelização ou para tornar mais
conhecido e amado o projeto do Reino de Deus revelado por Jesus? Quem de fato
ganha com tanto incenso?
Na vida
de Jesus fica claro que, quando queriam aclamá-lo pelos sinais que realizava,
ele sai de mansinho. Ao contrário disso, a sociedade do espetáculo e das
estrelas precisa de reconhecimento, de prêmios, de aparecer e vender mais. Tudo
isso alimenta o exibicionismo e a ostentação que pulveriza as redes sociais de
fotos, muitas vezes, o único conteúdo. Mas essa não é a prática de Jesus, nem
faz parte das orientações encontradas no Evangelho. Portanto, as estrelas
católicas que se cuidem para não reforçar a imagem de uma Igreja que só pensa
em si mesma, sem se importar com o anúncio e o testemunho de Cristo morto e
ressuscitado.
O papa
Francisco ainda quando era cardeal, em uma intervenção nas Congregações Gerais
antes do Conclave (fevereiro 2013), assim se expressou:
“A
Igreja, quando é autorreferencial, sem se dar conta, crê que tem luz própria;
deixa de ser o mysterium lunae e dá lugar a esse mal tão grave que é a
mundanidade espiritual” (segundo De Lubac, o pior mal que pode acontecer à
Igreja). Há duas imagens de Igreja: a Igreja evangelizadora que sai de si ou a
Igreja mundana que vive em si, de si, para si”, com títulos, competições para
dar-se glória uns aos outros.
Esta
reflexão é muito apropriada para iluminar nossos projetos e ações na Igreja.
Jaime
Carlos Patias, imc, mestre em comunicação e secretário nacional da Pontifícia
União Missionária.


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