Laine de Amorim* e Paulo Flores**
Daqui a menos de um mês (para ser mais exato, 27 dias)
começa a Quaresma, período em que a Igreja Católica realiza a Campanha da
Fraternidade (CF).
Em 2018, a CF nos convida a refletir sobre a violência e as
formas de superá-la. Além do tema “Fraternidade e superação da violência”, a
Campanha deste ano traz o lema: “Vós sois todos irmãos” (Mt 23, 8).
Com a CF deste ano a Igreja quer “construir fraternidade,
promovendo a cultura da paz, da reconciliação e da justiça, à luz da Palavra de
Deus, como caminho para superação da violência”.
Chamamos a atenção para um dos caminhos para a superação da
violência presente no objetivo da CF deste ano: a promoção da cultura da
justiça à luz da Palavra de Deus. E o que é a “justiça à luz da Palavra de
Deus”?
É tão somente a realização do projeto de Deus. À luz da
Palavra de Deus, “a justiça se concretiza na partilha e na fraternidade,
dirigindo a sociedade para a solidariedade e a paz. Exige, para todos, a
distribuição igualitária dos bens e a possibilidade de participar das decisões
que regem a vida e a história do povo. Na Bíblia, a justiça é eminentemente
partidária, visando a defender a causa dos indefesos” (Pequeno Dicionário
Bíblico. Bíblia Edição Pastoral).
Nos Estados Unidos, a terceira segunda-feira de janeiro (que
neste ano foi dia 15 passado) é dedicada à celebração da igualdade racial. Na
verdade, trata-se de uma homenagem ao Pastor Martin Luther King, que nasceu no
dia 29 de janeiro. Trago isso ao texto porque Luther King travou uma luta
pacífica contra as injustiças que eram cometidas contra uma imensa população de
indefesos: os negros. O pastor deu a vida lutando por justiça, contra a
violência. Para refletir mais sobre o tema, convido todos a lerem o texto de Marcelo Barros, publicado recentemente
pelo Centro de Estudos Bíblicos. É fantástico!
O texto de Marcelo Barros contribui muito para a reflexão
que convido todos a fazerem: É possível superar a violência em uma sociedade
onde não haja justiça? É possível superar a violência sem defender a causa dos
indefesos, dos injustiçados?
Em sua época, Jesus defendeu grupos sociais discriminados,
como as mulheres, viúvas, prostitutas, pessoas com deficiência, crianças,
migrantes (estrangeiros), pessoas de outras religiões... Todos pobres,
indefesos e discriminados e injustiçados pela sociedade.
Estes e outros grupos ainda sofrem com o preconceito e falta
de justiça em nossos dias.
Podemos dizer que as mulheres que exercem as mesmas funções
do que um homem, mas recebem menos pelos mesmos serviços são injustiçadas? A desigualdade
de oportunidade de ascensão profissional entre as pessoas é um tipo de
violência? Pessoas que se relacionam com pessoas do mesmo sexo são injustiçadas?
O espancamento e abusos de crianças é uma violência? Estamos mesmo dispostos a
superar a violência?
Como cristãos, estamos dispostos a perdoar, ou bradamos pela
pena de morte? Conseguimos nos controlar no estresse do trânsito das grandes
cidades? Respeitamos as pessoas de religiões diferentes da nossa?
Concluímos este texto com uma reflexão de Martin Luther
King: “...sempre insisti na justiça para o mundo
inteiro, pois a justiça é indivisível. E a injustiça, onde quer que aconteça é
uma ameaça à justiça em toda parte”.
* Psicóloga, membro do
Círculo Bíblico da Comunidade Eclesial Cristo Rei, da Paróquia/Santuário São
Judas Tadeu
** Jornalista, membro
do Círculo Bíblico da Comunidade Eclesial Cristo Rei, da Paróquia/Santuário São
Judas Tadeu
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