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| Desenho reproduzido a partir de foto de Guarim de Lorena |
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Marcos 1.14-20 (NAA)
Depois de João ter sido preso, Jesus foi para a
Galileia, pregando o evangelho de Deus. Ele dizia:
— O tempo está cumprido, e o Reino de
Deus está próximo; arrependam-se e creiam no evangelho.
Caminhando junto ao mar da Galileia, Jesus viu os
irmãos Simão e André, que lançavam a rede ao mar, porque eram pescadores. Jesus
lhes disse:
— Venham comigo, e eu farei com que sejam
pescadores de gente.
Então eles deixaram imediatamente as redes e o
seguiram. Pouco mais adiante, Jesus viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu
irmão, que estavam no barco consertando as redes, e logo os chamou. E eles seguiram
Jesus, deixando o seu pai Zebedeu no barco com os empregados.
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Jesus
chamou para serem seus discípulos pessoas de diferentes extratos sociais. Os
primeiros, segundo a narrativa de Marcos (1.14-20), eram pescadores. Os irmãos
Simão e André, que estavam lançando a rede ao mar, e Tiago e João que,
embarcados, consertavam as redes.
Isso faziam no chamado Mar da Galileia, designação
preferida pelo povo local, mas também conhecido como lago de Genesaré, ou
mar de Tiberíades, por causa da cidade homônima assim designada em homenagem ao
imperador romano Tibério Cláudio Nero César.
Não era exatamente um mar, mas um lago de água
doce, na fronteira de Israel, Cisjordânia e Jordânia, que na parte mais extensa
não tem mais que 19km de extensão e na mais estreita, 13km; está a 231m abaixo
do nível do mar, e seu principal afluente é o Rio Jordão.
A indústria pesqueira era bastante importante na
Galileia. As principais cidades da província ficavam às suas margens, ou bem
próximas: Tiberíades, Cafarnaum, e na outra margem, Betsaida e Genesaré, entre
outras. Caná, mesmo, não estava muito distante. Nazaré ficava num platô, no
alto, subindo a montanha uns 350m acima do nível do mar, a apenas 25km do Mar
da Galileia.
Enquanto esses irmãos faziam seu trabalho, passa
por eles um jovem que não é do ramo pesqueiro. Era, antes, um “tekton”, um
artesão. Ex-camponeses, os artesãos constituíam uma classe de operários que
tiveram que se dedicar a vários tipos de serviço na construção civil.
Isso porque, em algum momento, eles ou seus pais
haviam perdido suas terras por causa de dívidas a particulares ou ao Estado.
Migravam, então, para a cidade a procura de trabalho, e acabavam se ocupando
como pedreiros e carpinteiros ou outras atividades afins. Muito provavelmente
essa deve ter sido a história de José, e por conseguinte, de Jesus.
Aconteceu que, certo dia, um desses carpinteiros e
alguns pescadores se cruzaram.
O carpinteiro convoca os pescadores, mas todos
sabiam que não seria para trabalhar na construção do grande palácio de Herodes
que se erguia nas imediações. Ele os chama para pescar: “Vinde após mim, e eu
vos farei pescadores de homens [de gente]” (1.17).
Esse carpinteiro podia não entender muito de pesca,
mas sabia tudo sobre “homens” [gente]. E quando se encontra alguém que sabe o
ofício de amar a humanidade, só há uma coisa a fazer: deixar tudo e segui-lo,
por onde ele for.
Pescar homens [gente] não é tarefa fácil. Isso
porque perdemos em grande parte nossa humanidade. Para se fisgar humanos é
preciso trabalhar na reconstrução da humanidade. É aí que a experiência do
carpinteiro e a dos pescadores —dos operários da construção e da pesca— se
complementam.
Construir a humanidade e pescar gente é implementar
o Novo Mundo de Deus. Essa é a boa nova do Evangelho a qual somos convidados a
abraçar como discípulos e discípulas no caminho da missão.
Rev. Luiz Carlos Ramos†
Por uma igreja de mentes abertas, corações abertos e braços abertos
Por uma igreja de mentes abertas, corações abertos e braços abertos
Para o Terceiro Domingo da Peregrinação após Epifania
| Ano B 2015, 1018)
| Ano B 2015, 1018)

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